Olhos Verdes

fenixIlustração feita por Igor Uchôa

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Agora

Agora

Permita-se sentir alguma coisa. Meus olhos fitavam as luzes que passavam pela janela enquanto meu corpo descansava graciosamente no banco. Imóvel. Silencioso. Rígido.

Apenas uma lembrança. Havia uma urgência naquela voz.

Um arrependimento. Senti um solavanco, mas continuei impassível.

Uma saudade, um vazio dominava o brilho dos meus olhos. Por favor, sinta!

Uma alegria.

Uma Dor. O impacto deste último apelo foi visivelmente sutil, quase senti meus olhos entrando em foco. Entretanto, a lágrima que escorreu timidamente deixou um caminho perceptível levando o pouco brilho que aparecera neles.

– Eu não quero – minha resposta foi fraca, mas no fundo sabia que não conseguia sentir nada. A voz na minha mente insistiu:

Não pode viver eternamente no Vazio, não pode esconder para sempre a sua Dor. O vazio que existia na minha cabeça era maculado apenas por essa voz.

– Não preciso de alívio.

A dor da perda…

– EU NÃO QUERO!

A explosão veio acompanhada de imagens rápidas e sucessivas como um caleidoscópio: uma mulher de olhos verdes; a chuva; olhos verdes perdendo o brilho de reconhecimento…

As pessoas ao redor olharam assustadas quando gritei. Mas a Dor era imperativa, a dor da perda de um amor, a dor de saber que ela jamais saberá o que aconteceu, a dor de saber que era culpa minha. Lágrimas rolaram furiosamente em um choro sereno e silencioso. Depois de um tempo o choro parou e a dor se foi.

Mais uma vez fitei as luzes.

Um vento frio fez as pessoas ao seu redor estremecerem, mas nada sentiu, sabia a origem e o motivo. Havia um vazio nos meus olhos. Havia um vazio na minha mente. Havia um vazio no meu coração.